quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Introspecção (parte III)

Cuidado, recheio quente.

Tome cuidado comigo.
Não há distância entre isso que você vê e o que está por dentro. Essa pele, esses pelos, esses olhos, os espaços vazios e todo o resto são idênticos ao que não se vê. Os gestos, as atitudes, as palavras, o hálito, o mais breve suspiro são reflexos imediatos dos órgãos internos, dos sentimentos, dos desejos mais profundos, da alma. Por isso é preciso ter cuidado: qualquer movimento seu pode ferir. Não há escudos ou defesas, máscaras ou carapaças, tudo que sinto está aí, na superfície, à disposição, pronto para ser usado.
Por isso, tome cuidado.
Não tenho armaduras para me proteger. Minha maior defesa é o ataque. Não há barreiras entre o que lhe toca e o que sinto. Minha raiva, meu rancor, minha antipatia, meu mau humor, minha inveja, meu ciúme, meu ódio, meu medo, minha ira, minha agonia, minha angústia, meu egocentrismo e minha ignorância podem machucar. Não há filtros ou parâmetros que impeçam meus impropérios de seguir adiante. Mesmo minha culpa ou meu arrependimento não são capazes de detê-los.
Então, tome. Cuidado comigo.
Mesmo que suas intenções não sejam agressivas.
Mesmo que não se importe com minha própria agressividade.
Mesmo que seus atos em relação a mim sejam de carinho, cuidado, amor e atenção. (Principalmente nesse caso, é importante ter cuidado),

Ou posso me apaixonar.

1 comentários:

Anônimo disse...

ahhhhhhhhh...

que coisa boa isso.

eu já estou apaixonada.

bruna leite