Da raridade dos encontros
O que vejo não é o que se me mostra.
É o que há por trás do avesso,
No escuro, do lado esquerdo.
O que exponho tampouco é profundo.
É carne opaca e duvidosa,
Pele de parcos sabores e bravos odores,
Colorido de brilho acre.
Se o que há dentro é jardim de belezas impuras,
o que há ao redor é por vezes
mar manso e translúcido
e por vezes lodo sombrio.
O que vejo, o que mostro,
o que vês e o que sou
são cavalos selvagens em labirintos escuros.
O que há dentro e o que há ao redor
Caminham como ponteiros de um relógio.
Encontram-se em raros momentos,
Olham-se por não mais que um instante.
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